Home Data de criação : 08/06/07 Última atualização : 11/10/17 15:57 / 8 Artigos publicados

Dor e beleza no World Press Photo 09  escrito em terça 25 agosto 2009 18:29

Blog de apenasolhos :Apenas olhos, Dor e beleza no World Press Photo 09

Considerado o mais importante prêmio de fotojornalismo do mundo, o World Press Photo teve sua 52ª edição exposta no Rio de Janeiro, primeira cidade latina americana a receber as 195 fotografias julgadas e premiadas por um júri composto por treze importantes profissionais da área.

De maio a dezembro, a mostra irá percorrer 37 países ao todo. No Brasil, as imagens ficaram expostas na Caixa Cultural entre os dias 29 de julho a 23 de agosto. Segundo a organização World Press Photo, o objetivo do concurso é mostrar os acontecimentos marcantes de 2008 no mundo, na política, na natureza e no esporte.

            As fotos, de fato, retratam com muita sensibilidade e profissionalismo o que não vimos de perto. A realidade nua e crua dos conflitos civis entre a Rússia e a Geórgia, a violência e a rejeição aos homossexuais contaminados pelo vírus HIV, de Honduras, ou até mesmo a naturalidade com que moradores da cidade de Recife lidam com um corpo estendido a seus pés são apenas alguns exemplos do que se pode esperar encontrar no acervo da exposição.

Dentre tantas, foi uma das fotos de Walter Astrada que saltou aos meus olhos. A dor e o desespero estampados na face de uma criança de 7 anos ao ver um policial se aproximar de sua casa é estarrecedor. Walter Astrada conseguiu captar toda a essência daquele momento em uma só imagem. Não é preciso legenda para entender o significado de tamanha violência étnica.

            O conflito civil se iniciou após as disputadas eleições de dezembro de 2007, no Quênia. Muitos combates foram travados entre os membros da comunidade Kikuyu, que apoiavam o presidente Mwai Kibaki, e o grupo Luo, do candidato de oposição Raila Odinga, que denunciou fraude nas eleições.

            Uma criança não deveria presenciar a barbárie que acontece em sua volta, mas esta é apenas uma entre milhares de outras que são obrigadas a conviver com a carnificina gerada, muitas vezes, em nome de uma tribo, de uma etnia ou até mesmo de meras eleições. Algo que deveria servir para que as pessoas pudessem usufruir do seu direito a democracia se torna uma verdadeira guerra de interesses políticos.

            Mas apesar de tanta dor, a exposição mescla minuciosamente, arte, fotografia e jornalismo.  O suor do atleta, a beleza e o poder dos leopardos do Himalaia, a criatividade de recriar imagens de guerras com bonecos em ação e até mesmo as cores fortes e vibrantes dos olhos de algumas espécies fizeram desta uma das exposições mais belas que a Caixa Cultural abrigou.

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Por toda minha infância  escrito em sexta 07 novembro 2008 21:34

Blog de apenasolhos :Apenas olhos, Por toda minha infância

      Durante muitos anos da minha infância, ou melhor, durante toda a minha infância, eu fui completamente apaixonada pelo filme “A Bela e a Fera”. Eu ficava fascinada com todo o enredo, as canções, os personagens, os cenários... O encantado me transportava para lugares inimagináveis e eu ficava vidrada durante horas na frente da TV. Era impossível chegar da escola e não assistir, pelo menos uma vez, ao vídeo do filme.

            O que mais despertava o meu fascínio era o fato de uma história conseguir ser repleta de peculiaridades que eu não entendia muito bem na época, mas que com o tempo fui percebendo que compunham muito mais do que um simples conto de fadas. Amor, sociedade, preconceito, realidade, sonho e magia eram cuidadosamente narrados sobre um plano de fundo mágico e surreal que despertava e aguçava os meus maiores sonhos e ideais.

            A história da garota que todos achavam estranha por possuir hábitos e sonhos que fugiam da realidade dos demais moradores da pequena aldeia se une à história de um monstro, que na verdade possuía muitas qualidades e só precisava ser visto de uma forma diferente. Isso tudo era fantástico demais!

Este é o mais belo de todos os contos que a Disney já produziu e, para mim, se tornou ainda mais belo agora do que quando o vi pela primeira vez há anos atrás.  A fascinação que guardo por esta obra, agora vai além da mera diversão e encanto mágico. Agora consigo ver mais claramente o que o filme possui de tão especial, seja por sua densidade moral e romântica ou por sua energia esplêndida, que lhe garante os mais fantásticos números musicais e cenas orquestradas com beleza e originalidade.

Afinal, quem não se lembra da gigantesca festa que Bela recebe em sua primeira noite no castelo? Ou da eterna valsa entre Bela e Fera, ao som da magnífica “Beauty and the Beast”, um dos temas mais belos do cinema.

Muitos acreditam que ser criança torna tudo mais fácil. Eu acredito que, ter sido criança na minha época, tornava tudo mais fácil e encantador. Eu tinha a mente desprovida de qualquer preocupação ou aborrecimento, o que facilitava dar asas a minha imaginação. Penso que talvez seja isso que esteja faltando nas crianças de hoje. O que é um fato extremamente lamentável.

            A imaginação vem sendo atrofiada dia após dia com o descaso, a falta de preocupação com a infância, o trabalho infantil, os programas de TV inadequados, os jogos eletrônicos que fazem as crianças se tornarem cada dia menos criativas e mais alienadas, enfim, fatores que só fazem mal a vida daqueles que farão parte do tão sonhado e esperado “futuro” tecnológico.

            Era tão bom poder assistir a filmes que ensinavam virtudes e bons conceitos. Hoje, ninguém quer mais saber disso. Nem os pais, - que estão mais liberais do que nunca-, nem muito menos os filho-que aparentam ter mais idade do que propriamente possuem. Prova disto? É só lembrarmos o percentual de meninas grávidas aos 12 anos ou dos jogos onde a violência é explícita e altamente contagiosa.

A inocência está perdendo seu espaço e seu brilho e está quase se extinguindo do cotidiano das crianças de hoje, e o mais pitoresco é que nada está sendo feito para contornar essa situação que se estende e que continuará se estendendo até que se faça algo de verdadeira significância.

Mas voltando ao ponto central do qual parti, não posso deixar de enfatizar que “A Bela e a Fera” foi o primeiro e único (pelo menos até agora) desenho a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, e também foi o primeiro longa de animação a ultrapassar a barreira de US$ 100 milhões em sua bilheteria. Em comemoração ao seu 10º aniversário, teve reestréia nos cinemas de todo o mundo (Brasil inclusive), numa edição especial que inclui um novo número musical: a canção “Human Again”, prevista para ser incluída no filme original, mas que acabou ficando de fora. E o melhor de tudo é que se passaram dez anos, mas mesmo assim o filme não envelheceu. Ainda mantém sua magia, seu bom humor, seu ritmo e suas excelentes canções.

Outro ponto que pretendo abordar nesta crônica apaixonada é a beleza inferior, que muitas vezes é subjugada. E tal mensagem é mais atual do que nunca, em um tempo extremamente materialista e imerso numa sociedade onde seus indivíduos estão cada dia mais julgando e se distanciando um dos outros. Este filme prova que, muitas vezes, enxergar além da rotineira aparência pode ser inovador e imensamente gratificante, pois podemos descobrir qualidades inigualáveis em pessoas que, normalmente, passariam despercebidas aos olhares “recheados” de uma etiqueta que rotula, julga e atribui um pré-conceito ao que é “bom” e ao que não é. Vale lembrar que nem sempre o comum é o melhor. O diferente, o “anormal”, o “feio” pode ser tão bom quanto.

O filme tem identidade, beleza, profundidade e possui algo a dizer notável. Seu retrato sobre a ignorância no personagem de Gaston é superficialmente engraçado, mas introspectivamente ácido. Cai como uma luva para identificar esse defeito humano mais presente do que nunca na sociedade em que vivemos.

A história de amor entre Bela e Fera é tão singela, honesta e comovente que acaba por nos tocar ao seu fim quase trágico, em um clímax derradeiramente emocionante que me faz chorar até hoje. É como voltar a ser criança. É maravilhoso poder assistir, com prazer e agrado, uma clássica animação que será eternamente a mais tocante de todas que eu tive o prazer de assistir.

 

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E se fez a lei  escrito em segunda 06 outubro 2008 17:34

Em toda eleição acontece a mesma coisa. Candidatos enchem o peito para pedir o voto do povo e fazer propostas muitas vezes quase impossíveis de serem realizadas. Esses são os mesmos que adoram poluir visualmente aquela que tanto desejam governar. Em época de eleição a cidade mais parece um pau de galinheiro do que qualquer outra coisa. Mas este ano o Superior Tribunal Eleitoral (STE) tomou a decisão de atacar a parte mais frágil do corpo humano – o bolso-, para fazer vigorar a Lei 11.300/06, que visa uma eleição com menos poluição visual e mais igualdade no uso de recursos econômicos pelos adversários.

É certo que em algumas áreas, principalmente nas mais carentes, a irregularidade ainda acontece. Prova disto foi a retirada de aproximadamente 400 quilos de propaganda irregular no Complexo do Alemão, no dia 1º de outubro.  Mas ainda assim os candidatos vêm, em sua maioria, obedecendo às vedações impostas pelo TSE. A medida adotada por estes para que a exposição de suas imagens não fosse totalmente prejudicada foi colocar “outdoors humanos” nas ruas da cidade. O contraste de imagens é gritante. De um lado imagens quase “santificadas” de candidatos e de outro, imagens sofridas e cansadas de pessoas que passam um dia inteiro para ganharem míseros R$ 20,00.

Apesar de tudo a Lei está sendo cumprida. Se lembrarmos da eleição de 2004 e compará-la a esta, poderemos perceber que o volume de lixo eleitoral teve uma significativa redução.  A expectativa é de que a campanha municipal, que tinha como característica o uso freqüente dos recursos agora vedados, ganhe uma nova cara. A decisão do STE foi de extrema importância para que a cidade não sofra com a poluição feita por nossos futuros governantes.

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Quando o jornalismo perde sua beleza  escrito em segunda 29 setembro 2008 18:31

       A imprensa tem a função de informar o que acontece de forma verdadeira para a sociedade, mas vem agindo de forma irresponsável e inconseqüente. Muitas vezes o que é publicado pode denegrir e manchar a imagem de pessoas inocentes, por isso, a mídia deve ter um cuidado redobrado quando for publicar seus artigos.

Há ocasiões em que a falta de percepção deixa a imprensa esquecer a força que o seu ataque possui. Casos como do ex-presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que foi cassado na CPI dos anões e do ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra (DEM-PR), acusado de superfaturamento na compra de bicicletas, são alguns exemplos de como a irresponsabilidade ética está vigorando no jornalismo. Há veículos que se sentem no direito de condenar um caso antes mesmo que este vá para julgamento, se esquecendo que esta é uma função que cabe à justiça julgar. Não se pode condenar um indivíduo tendo como base boatos, pois toda notícia é boato até que seja totalmente confirmada.

Carl Bernstein afirmou que o jornalista deve ser um obstinado em conseguir o máximo de verdade possível, lutando contra todo tipo de filtros e condicionantes, porém, há profissionais que não se satisfazem com a acusação de apenas um indivíduo. É preciso atacar aquilo que é considerado mais sagrado por qualquer sociedade - a família-, como se esta tivesse culpa de algo. A boa imprensa deve ser isenta e pragmática em qualquer situação, mas até que ponto a credibilidade dos jornais pode significar a consolidação de um processo?

Não sejamos ingênuos, muitas notícias só servem para vender jornal. É certo que é muito difícil conseguir equilibrar a integridade e o funcionamento, mas “antes de ser um negócio, jornal deve ser visto como um serviço público”. É lamentável que certos jornalistas estejam se esquecendo da real beleza desta profissão, que é o exercício de combater e corrigir os vícios através da denúncia, mas de uma denúncia com bases verdadeiras e não ficcionais.

 

 

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Maquiando os erros do governo  escrito em domingo 21 setembro 2008 11:35

A vinda das tropas para o Rio não passa de uma medida paliativa para tentar esconder os erros e as deficiências do nosso governo. A verdade é que o poder paralelo preencheu o vazio deixado pela falta de atenção do Estado em áreas carentes, e esse preenchimento dá total liberdade para que traficantes e milicianos façam o que quiserem nessas áreas, denegrindo a democracia e a individualidade dos moradores.

Ser policial no Brasil é conviver com as mais variadas formas de incompetência. Quando o governador do Rio assumiu, garantiu que teríamos uma polícia bem paga e bem preparada nas ruas. Assim, o verdadeiro banditismo que tomou conta da classe seria expurgado e a polícia carioca voltaria a ser um instrumento da lei e da ordem. No entanto, suas medidas administrativas foram sempre no sentido contrário ao que disse. Ao invés de aumentar os salários dos policiais e exigir mais qualidade, ele simplesmente alega “dificuldades orçamentárias”. Que é a eterna desculpa dos incompetentes.

Segundo o inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), o número de homicídios cometidos por policiais aumentou no ano passado. Durante todo o ano, a polícia do Rio de Janeiro matou 1200 pessoas. Foram 197 mortes a mais do que no ano de 2006. Embora o número de mortes tenha aumentado em decorrência dos autos de resistência, mais policiais também morreram em serviço. No ano passado, foram cinco a mais do que em 2006.

Está claro que a vinda do exército é necessária no momento, mas não é o remédio para curar a doença. O governo precisa se preocupar em investir na segurança dos cidadãos e dos policiais, preparando, dando melhores condições e dificultando o processo seletivo dos profissionais, para que, assim, possa, pelo menos, tentar separar o “joio do trigo”.

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